11 de março de 2026 By Roberta Comments are Off
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) emitiu um comunicado de farmacovigilância que acende um sinal de alerta importante para a população: o uso de medicamentos e suplementos alimentares à base de cúrcuma (açafrão) em cápsulas ou extratos concentrados pode estar associado a casos raros, mas graves, de lesão hepática.
Como hepatologista, considero essencial trazer esse tema para esclarecer a diferença entre o uso seguro do tempero na alimentação e os riscos do consumo indiscriminado de formulações concentradas, especialmente quando associadas a outras substâncias que potencializam sua absorção.
🌿 O que diz o alerta da ANVISA?
Investigações internacionais identificaram casos de hepatite medicamentosa (DILI – Drug-Induced Liver Injury) em pessoas que utilizavam produtos com cúrcuma ou curcuminoides em doses elevadas, principalmente em cápsulas ou extratos desenvolvidos para aumentar a biodisponibilidade do composto ativo.
Países como Itália, França, Canadá e Austrália já haviam emitido alertas semelhantes. A ANVISA, acompanhando essas evidências, determinou:
- A atualização obrigatória das bulas de medicamentos que contêm cúrcuma.
- A inclusão de advertências em rótulos de suplementos alimentares.
- A reavaliação regulatória dos extratos concentrados disponíveis no mercado brasileiro.
🧑🍳 Cúrcuma como tempero é segura?
Sim, e isso precisa ficar muito claro! O alerta NÃO se aplica ao uso da cúrcuma como tempero na culinária. O pó utilizado em preparações como arroz, carnes, legumes e o clássico curry é seguro, pois as quantidades ingeridas são pequenas e a absorção pelo organismo é limitada.
O problema está nas formulações concentradas, que entregam ao fígado uma quantidade muito maior de curcumina do que aquela obtida naturalmente pela alimentação.
🔬 Por que os suplementos podem ser perigosos?
Para contornar a baixa absorção natural da curcumina pelo intestino, muitos laboratórios desenvolvem tecnologias ou adicionam substâncias que aumentam sua biodisponibilidade. A mais comum é a piperina, um alcaloide presente na pimenta-preta.
Embora essa combinação seja eficaz para potencializar os efeitos desejados (como ação anti-inflamatória e antioxidante), ela também aumenta exponencialmente a carga de curcumina que o fígado precisa processar. Em pessoas suscetíveis, esse excesso pode desencadear uma reação inflamatória grave nas células hepáticas, levando à hepatite medicamentosa.
Além disso, a falta de padronização na concentração dos produtos e o uso combinado de múltiplos suplementos ou medicamentos podem sobrecarregar ainda mais o órgão.
⚠️ Quem está mais vulnerável?
O risco é maior para:
- Pessoas com doenças hepáticas pré-existentes (esteatose, hepatites, cirrose).
- Indivíduos com problemas na vesícula biliar ou histórico de icterícia.
- Pacientes que utilizam múltiplos medicamentos (polifarmácia).
- Quem faz uso de doses elevadas por conta própria, acreditando que “natural” é sinônimo de “seguro”.
🩺 Sinais de alerta: quando procurar ajuda?
Se você utiliza suplementos de cúrcuma e apresentar qualquer um dos sintomas abaixo, interrompa o uso imediatamente e busque avaliação médica urgente:
- Pele ou olhos amarelados (icterícia).
- Urina escura (cor de café ou coca-cola).
- Cansaço extremo e sem causa aparente.
- Náuseas, vômitos ou dor abdominal persistente.
- Febre ou mal-estar generalizado.
Esses sinais podem indicar lesão hepática em evolução e exigem investigação rápida com exames de função hepática (TGO, TGP, Gama GT, bilirrubinas) e ultrassom de abdômen.
💡 A orientação da Dra. Rosamar Rezende
A busca por saúde e bem-estar é legítima, mas não pode ser guiada por modismos ou promessas milagrosas. O fígado é um órgão resiliente, mas tem limites. Sobrecarregá-lo com substâncias desnecessárias, em doses inadequadas e sem supervisão pode trazer consequências graves e irreversíveis.
Minhas recomendações:
✅ Use a cúrcuma como tempero – é segura, saborosa e benéfica.
⚠️ Suplementos de cúrcuma só devem ser utilizados com orientação médica, em dose adequada e por tempo determinado.
🩺 Antes de iniciar qualquer suplemento, faça uma avaliação hepática de base, especialmente se houver fatores de risco.
📢 Compartilhe essa informação – conhecimento salva vidas e protege fígados!
📚 Fontes e referências
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) – Alerta de farmacovigilância, março/2026.
- ANSES (França) – Relatórios de hepatotoxicidade associada à cúrcuma.
- Estudos internacionais sobre DILI induzida por suplementos fitoterápicos.
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